TEXTO E ATIVIDADES CONTEXTUALIZADAS 4° E 5° ANOS : O caso do Espelho

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O caso do Espelho

Era um homem que não sabia quase nada. Morava longe, numa casinha de sapé esquecida nos cafundós da mata.
Um dia, precisando ir à cidade, passou em frente a uma loja e viu um espelho pendurado do lado de fora. O homem abriu a boca. Apertou os olhos.
Depois gritou, com o espelho nas mãos:
__ Mas o que é que o retrato de meu pai está fazendo aqui?
__ Isso é um espelho – explicou o dono da loja.
__ Não sei se é espelho ou se não é, só sei que é o retrato do meu pai.
Os olhos do homem ficaram molhados.
__ O senhor conheceu meu pai? – perguntou ele ao comerciante.
O dono da loja sorriu. Explicou de novo que aquilo era só um espelho comum, desses de vidro e moldura de madeira.
__ É não! – respondeu o outro. – Isso é o retrato do meu pai. É ele sim! Olha o rosto dele. Olha a testa. E o cabelo? E o nariz? E aquele sorriso meio sem jeito?
O homem quis saber o preço. O comerciante sacudiu os ombros e vendeu o espelho, baratinho. Naquele dia, o homem que não sabia quase nada entrou em casa todo contente. Guardou, cuidadoso, o espelho embrulhado na gaveta da penteadeira. A mulher ficou só olhando.
No outro dia, esperou o marido sair para trabalhar e correu para o quarto.
Abrindo a gaveta da penteadeira, desembrulhou o espelho, olhou e deu um passo atrás. Fez o sinal da cruz tapando a boca com as mãos. Em seguida, guardou o espelho na gaveta e saiu chorando.
__ Ah, meu Deus! — gritava ela desnorteada. – É o retrato de outra mulher! Meu marido não gosta mais de mim! A outra é linda demais! Que olhos bonitos! Que cabeleira solta! Que pele macia! A diaba é mil vezes mais bonita e mais moça do que eu!
Quando o homem voltou, no fim do dia, achou a casa toda desarrumada. A mulher, chorando sentada no chão, não tinha feito nem a comida.
__ Que foi isso, mulher?
__ Ah, seu traidor de uma figa! Quem é aquela jararaca lá no retrato?
__ Que retrato? – perguntou o marido, surpreso.
__ Aquele mesmo que você escondeu na gaveta da penteadeira!
O homem não estava entendendo nada.
__ Mas aquilo é o retrato do meu pai!
Indignada, a mulher colocou as mãos no peito:
__ Cachorro sem-vergonha, miserável! Pensa que eu não sei a diferença entre um velho lazarento e uma jabiraca safada e horrorosa?
A discussão fervia feito água na chaleira.
__ Velho lazarento coisa nenhuma! – gritou o homem, ofendido.
A mãe da moça morava perto, escutou a gritaria e veio ver o que estava acontecendo. Encontrou a filha chorando feito criança que se perdeu e não conseguia mais voltar pra casa.
__Que é isso, menina?
__ Aquele cafajeste arranjou outra!
__ Ela ficou maluca – berrou o homem, de cara amarrada.
__ Ontem eu vi ele escondendo um pacote na gaveta lá do quarto, mãe!
Hoje, depois que ele saiu, fui ver o que era. Tá lá! É o retrato de outra mulher! A boa senhora resolveu, ela mesma, verificar o tal retrato. Entrando no quarto, abriu a gaveta, desembrulhou o pacote e espiou. Arregalou os olhos. Olhou de novo. Soltou uma sonora gargalhada.
__ Só se for o retrato da bisavó dele! A tal fulana é a coisa mais enrugada, feia, velha, cacarenta, murcha, arruinada, desengonçada, capenga, careca, caduca, torta e desdentada que eu já vi até hoje! E completou, feliz, abraçando a filha:
__ Fica tranquila. A bruaca do retrato já está com os dois pés na cova!
(Versão de conto popular de origem chinesa, por Ricardo Azevedo).

ATIVIDADES

1° MOMENTO

– Perguntar aos alunos se eles conhecem um gênero textual chamado Conto.
– Ouvir a turma para identificar o conhecimento prévio dos alunos a respeito do gênero textual Conto.
– Contar para a turma qual é a origem dos Contos:
Origem dos Contos
“Embora o conto seja utilizado por muitos escritores, a sua origem é muito humilde, pois nasceu entre o povo anônimo.
Começou por ser um relato simples de situação imaginária, destinado a ocupar o tempo livre e reforçar o convívio entre os membros da comunidade. “Um contador de histórias narra a um pequeno grupo de pessoas um episódio considerado  interessante”, às vezes ao pé das fogueiras, ou assentados na causadas das casas…
– Explicar que o conto é um gênero textual por ter características próprias.
– Listar no quadro ou apresentar listadas num cartaz, as características do conto:
1. Narrativas curtas, de um autor anônimo.
2. O narrador geralmente não participa da história.
3. Poucos personagens.
4. Linguagem popular e familiar, com marcas de oralidade (que se parece com
a fala cotidiana das pessoas.)
5. Não tem muitas descrições de detalhes.
Identificar a função social do Conto
– Dizer aos alunos que o texto de hoje é muito interessante e engraçado e a turma deverá dizer, ao final da leitura, se ele é um conto ou se é de outro gênero textual.
– Entregar o texto para a turma e fazer a primeira leitura, pedindo à turma que acompanhe, lendo silenciosamente.
– Dizer que fará uma segunda leitura para que eles possam compreender bem o texto e pedir que a turma acompanhe lendo oralmente, porém bem baixinho.
– Deixar que a turma diga se o texto é um conto ou não. Se houver discordância de opinião cada um deve argumentar a favor de sua opinião.
– Dividir a turma em grupos.
-Distribuir os papéis entre os alunos:
O comerciante, o homem, a mulher, a mãe da mulher e o narrador.
– Cada um deverá ler, com expressividade, a parte que corresponde ao seu papel.
– Repetir a leitura, escolhendo outros alunos para os papéis.
– Propor à turma “dramatizar” o texto: apenas o narrador fará a leitura, a fala dos personagens deve ser espontânea.
– Destacar a frase do texto: “Era um homem que não sabia nada.”
– Perguntar a turma: Existe alguém que não sabe nada? O que o autor quis dizer com esta frase?
Ela tem relação com a segunda frase: “Morava longe, numa casinha de sapé esquecida nos cafundós da mata.”

2° MOMENTO

1- Fazer um cartaz com as informações a serem inferidas pelos alunos num
quadro e um espaço para colar os cartões de respostas, ou passar na lousa
em forma de perguntas.

1 – o homem gritou: “__Mas o que é que o retrato de meu pai está fazendo aqui?”
Por que ele perguntou isso ao dono da loja?
2- “Os olhos do homem ficaram molhados.” Por quê?
3- Em que o homem era parecido com o seu pai?
4- Se a mulher viu sua própria imagem, por que achou que a mulher “do retrato” era mais bonita do que ela?

Cartões de respostas:

Ele encontrou um retrato do pai colado no espelho.

Ele confundiu o retrato do dono da loja,
dependurado na parede, com o de seu pai.

Ele não conhecia espelho e ao se ver
refletido, achou que era seu pai, pois eram
muito parecidos.

Ele não conhecia espelho e ao ver o
dono da loja refletido, achou que era o
retrato de seu pai, pois eram parecidos.

Caiu um cisco nos olhos dele.

Ele ficou emocionado ao lembrar-se de seu
pai.

Ele ficou emocionado ao se ver refletido no
espelho.

Ele não chorou de raiva do dono da loja.
Ele tinha o rosto, a testa, o cabelo, o
nariz, e o jeito de sorrir parecidos com o pai.

Ele se parecia com o pai, no jeito de olhar no
espelho.

Ficava sem jeito quando sorria. Igual ao pai.

Ele se parecia com o pai quando ficava
nervoso.

Porque a mulher não conhecia sua própria
beleza.

Porque a mulher estava cega de
ciúmes.

Porque a mulher era muito feia
Porque a mulher era louca.

Porque ela achou que o homem queria
enganá-la.

Porque ela estava muito nervosa.

Porque ela era uma mulher muito boba.

Porque a mãe dela fez fofoca
Porque a velha era meio cega.

Porque a mulher não conhecia sua própria
feiura e velhice.

Porque a mãe queria acalmar a filha.

Porque a mãe da mulher era doida.

2- Encontrar no texto, expressões que dão ideia de: tempo, lugar e modo.
3- A que personagem se refere as palavras ou expressões destacadas?

Palavras ou expressões                                       Homem / Espelho /Dono da loja  /Pai do homem

“… que o retrato de meu pai está fazendo
aqui?”
“__ Isso é um espelho…”
“__ O senhor conheceu meu pai? –
perguntou ele ao comerciante.”
“__ O senhor conheceu meu pai? –
perguntou ele ao comerciante.”
“__ O senhor conheceu meu pai? –
perguntou ele ao comerciante.”
“…Explicou de novo que aquilo era só um
espelho comum, desses de vidro…”
“…Explicou de novo que aquilo era só um
espelho comum, desses de vidro…”
“__ É não! – respondeu o outro.”
“- Isso é o retrato do meu pai.”
“É ele sim!”
“Olha o rosto dele.”

Homem /   “Mulher do retrato” /Espelho /Dono da loja/ Pai do homem /Mãe da mulher

“__ Ah, meu Deus! —
gritava ela desnorteada.”
“Meu marido não gosta
mais de mim!”
“A outra é linda demais!”
“A diaba é mil vezes mais
bonita…”
“Quem é aquela jararaca”
“__Aquele mesmo que
você escondeu na
gaveta…”
“…não sei qual a diferença
entre um velho
lazarento…”
“Encontrou a filha
chorando…”

“Que isso menina?”
“Aquele cafajeste arranjou
outra!”
“A boa senhora resolveu…”
“Só se for o retrato da
bisavó dele!”
“A tal bruaca é a coisa
mais enrugada…”

4- Perguntar aos alunos:

* O que causou toda a confusão relatada no conto? (Ouvir a opinião de todos os alunos que se manifestarem.)

* A turma analisa e identifica o correto:

O fato do homem não conhecer espelho.
O fato do homem achar que sua imagem no espelho era o retrato de seu pai.
A curiosidade da mulher e o fato dela mexer nos guardados do marido.
A raiva da mulher e o fato dela xingar seu marido.

 

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Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas…

…Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado. Rubem Alves

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